
Uma visão rápida da mensagem e do caminho que vamos percorrer.
Todo discípulo de Jesus sabe que precisa orar. Mas não é raro ficar a dúvida: como orar? Como orar segundo a vontade de Deus? Por que algumas orações parecem não ter resposta? Os próprios discípulos pediram a Jesus que os ensinasse, e em Mateus 6 ele responde. Nesta semana vamos percorrer esse ensino, que primeiro limpa o terreno — mostrando o que oração não é — e depois oferece um modelo para uma vida de busca constante do Pai.
Mateus 6.5-15
Antes de ensinar como orar, Jesus desmonta o que oração não é. Orar não é se promover, repetir fórmulas ou entregar uma lista de pedidos: é um relacionamento de intimidade com o Pai, que molda a nossa vontade à vontade dele.
O propósito básico da oração não é sujeitar a vontade de Deus à minha, mas moldar minha vontade à dele.
Jesus pega um hábito que os judeus já praticavam, orar várias vezes ao dia, e amplia o horizonte. Ele começa pelo que a oração não é: não é autopromoção, como a dos hipócritas que oram nas esquinas para serem vistos; não é fórmula mágica, como a dos pagãos que pensam que serão ouvidos por muito falarem; e não é uma lista de pedidos entregue a um Pai que já sabe do que precisamos. Oração é intimidade — o quarto, a porta fechada, o Pai que vê no secreto. A partir daí, Jesus ensina um modelo: orar com a visão correta, unindo intimidade e reverência; buscar primeiro o Reino e a vontade do Rei; apresentar as necessidades de hoje em dependência; aprender a pedir e a conceder perdão; e se preparar para a batalha contra a tentação. Quando essa visão entra, a oração deixa de ser mecânica e forçada e se torna vida de comunhão com o Senhor.
Quatro movimentos para sair da oração mecânica e entrar numa vida de intimidade com o Pai.
Primeiro, Jesus mostra o que oração não é: não é autopromoção diante dos outros, não é fórmula mágica de palavras repetidas e não é uma lista de compras entregue a Deus.
Depois, Jesus revela o que oração é: um relacionamento de intimidade com o Pai, no quarto, com a porta fechada, longe das distrações, onde a maior recompensa é a presença dele.
Em seguida, Jesus ensina a visão correta — chamar a Deus de "Pai nosso" com intimidade e santificar o seu nome com reverência — e a buscar o que de fato importa: o Reino e a vontade do Rei.
Por fim, Jesus ensina a orar pelo pão de hoje em dependência, a pedir e conceder perdão, e a se preparar para a batalha contra a tentação e o mal, sempre no plural: não só por mim, mas por nós.
Sabemos que oração é falar com Deus — mas como orar?
Estamos vivendo um mês de oração, não apenas na nossa igreja, mas junto com outras igrejas missionárias espalhadas pelo país. E é bem provável que você, como discípulo de Jesus, já saiba da importância da oração. A questão é que orar não pode ficar restrito a campanhas como esta. A oração precisa ser diária, rotineira e constante na vida de quem deseja crescer em Jesus.
Buscamos a Deus nos momentos difíceis, pedindo respostas para nossas aflições. Mas a oração não é só isso. Ela também é agradecimento, louvor e confissão. Em toda a Bíblia encontramos pessoas dedicadas a essa busca constante por Deus, porque esse é o desejo de Deus para a nossa vida: a oração nos aproxima do Senhor.
Mesmo assim, a pergunta permanece: como orar? Aprendemos desde pequenos, no ministério infantil, que oração é falar com Deus. Mas muitas vezes ainda temos dúvidas sobre como orar segundo a vontade de Deus. O objetivo desta mensagem não é responder todas as perguntas sobre oração, mas ajudar com esta: como orar? E quem responde é o próprio Jesus, porque os discípulos pediram que ele os ensinasse.
Jesus disse "quando vocês orarem", e não "se vocês orarem". Ele já esperava que a oração fosse parte normal da vida do discípulo.
Antes de ensinar o que é oração, Jesus mostra o que ela não é.
Em Mateus 6, Jesus fala de práticas que os judeus já faziam: dar esmola, jejuar e orar. Eles eram conhecidos como aqueles que oravam em diversos momentos do dia. Jesus pega esse contexto e amplia o horizonte, mostrando uma nova realidade sobre oração e deixando um modelo para nós. Diferente dos pagãos, que não conheciam a Deus, e diferente dos judeus, com suas normas e regras, Jesus nos mostra outra forma de orar.
E ele começa pelo que a oração não é. Primeiro: oração não é autopromoção. Os hipócritas gostavam de orar em pé nas sinagogas e nas esquinas para serem vistos. Jesus diz que eles já receberam a recompensa deles — os aplausos. Querem fama, elogio público, querem mostrar o quanto são espirituais. Não é uma oração que exalta a Deus, mas a si mesmo. Isso é diferente de alguém elogiar nosso desempenho e nós darmos a glória a Deus.
Segundo: oração não é fórmula mágica. Não existe uma receita de remédio, um passo a passo garantido. As pessoas dizem: "orei dessa maneira e o milagre aconteceu, faz isso que vai acontecer com você". Não é assim. Jesus diz que ficar repetindo a mesma coisa, achando que por muito falar será ouvido, é prática de quem não o conhece. Oração não é algo engessado, metódico, sem sentimento, como um robô. Ela é rotineira, acontece todos os dias, mas não é engessada.
Terceiro: oração não é uma lista de pedidos. Não é uma lista de compras entregue a Deus. Como dizemos, não é papai Noel, é Papai do céu. Você que é pai ou mãe fica chateado quando o filho só aparece para pedir dinheiro, para dizer que precisa disto e daquilo. Por que fazemos isso com Deus? Ele já sabe do que precisamos antes de pedirmos. Isso não quer dizer que não devemos orar, mas que a oração é muito maior do que uma lista.
Hipócrita, no original, traz a ideia do ator de teatro: alguém fazendo um personagem. A oração não pode ser algo falso, mas verdadeiro diante de Deus.
Mateus 6.5-15: o ensino de Jesus sobre como orar.
“"E quando vocês orarem, não sejam como os hipócritas. Eles gostam de ficar orando em pé nas sinagogas e nas esquinas, a fim de serem vistos pelos outros. Eu lhes asseguro que eles já receberam sua plena recompensa. Mas quando você orar, vá para seu quarto, feche a porta e ore a seu Pai, que está no secreto. Então seu Pai, que vê no secreto, o recompensará. E quando orarem, não fiquem sempre repetindo a mesma coisa, como fazem os pagãos. Eles pensam que por muito falarem serão ouvidos. Não sejam iguais a eles, porque o seu Pai sabe do que vocês precisam, antes mesmo de o pedirem. Vocês, orem assim: ‘Pai nosso, que estás nos céus! Santificado seja o teu nome. Venha o teu Reino; seja feita a tua vontade, assim na terra como no céu. Dá-nos hoje o nosso pão de cada dia. Perdoa as nossas dívidas, assim como perdoamos aos nossos devedores. E não nos deixes cair em tentação, mas livra-nos do mal, porque teu é o Reino, o poder e a glória para sempre. Amém’. Pois se perdoarem as ofensas uns dos outros, o Pai celestial também lhes perdoará. Mas se não perdoarem uns aos outros, o Pai celestial não lhes perdoará as ofensas".”
Jesus começa corrigindo: não sejam como os hipócritas, que oram para serem vistos, nem como os pagãos, que repetem muitas palavras achando que assim serão ouvidos. O Pai já sabe do que precisamos antes mesmo de pedirmos. Em seguida, ele aponta o lugar da verdadeira oração: o quarto, a porta fechada, o secreto — e promete que o Pai, que vê no secreto, recompensará.
Então vem o modelo. "Pai nosso, que estás nos céus" abre com intimidade e reverência ao mesmo tempo. "Santificado seja o teu nome" reconhece quem Deus é. "Venha o teu Reino, seja feita a tua vontade" coloca a agenda de Deus antes da nossa. "Dá-nos hoje o nosso pão de cada dia" assume dependência diária. "Perdoa as nossas dívidas, assim como perdoamos" liga o perdão recebido ao perdão oferecido. "Não nos deixes cair em tentação, mas livra-nos do mal" nos prepara para a batalha.
E Jesus não encerra no amém. Ele volta ao tema do perdão nos versículos 14 e 15, deixando claro que perdoar as ofensas uns dos outros não é um detalhe opcional dessa oração. Observe também que, do começo ao fim, o modelo é coletivo: Pai nosso, nosso pão, nossas dívidas, não nos deixes. A oração que Jesus ensina nunca é só sobre mim.
Oração é relacionamento de intimidade com Deus — e isso muda tudo.
Depois de dizer o que a oração não é, Jesus mostra o que ela é: um relacionamento de intimidade com Deus. "Vá para seu quarto, feche a porta e ore a seu Pai, que está no secreto." É algo entre você e Deus. Pode haver momentos de oração com outras pessoas, claro, mas a oração rotineira que gera intimidade é essa, no secreto.
Dá para sair para um jantar romântico levando os filhos junto? Dá, mas não haverá intimidade de verdade, porque a cada momento alguém vai pedir alguma coisa. Dá para ter um tempo íntimo com Jesus de celular na mão, olhando as redes sociais? Pergunte a qualquer esposa se ela gosta que o marido fique no celular ou assistindo futebol enquanto ela fala algo íntimo com ele. Por que fazemos isso com Deus? Será que ele não se importa?
Jesus diz que o Pai, que vê no secreto, recompensará. Antes, a recompensa vinha das pessoas; aqui vem de Deus. E qual recompensa é melhor do que a própria presença de Deus? A companhia do Senhor, conhecer mais de Jesus, sentir a presença dele — isso não se encontra em um filme ou numa série. Mais do que pedidos respondidos, a maior recompensa é uma vida de intimidade com Deus.
"O propósito básico da oração não é sujeitar a vontade de Deus à minha, mas moldar minha vontade à dele." — Tim Keller
Com essa base, Jesus ensina a orar com a visão correta: intimidade e reverência juntas. "Pai" é intimidade — não apenas Deus, não apenas Criador, mas Pai. Em Jesus nos tornamos filhos de Deus, e o véu já foi rasgado. Os judeus não chamariam Deus de Pai, porque olhavam para aquele Deus santo e tinham medo. Jesus diz: Pai, sem medo. E não só "Pai", mas "Pai nosso", porque o sangue de Jesus nos torna irmãos, reconciliados e filhos.
Mas é "Pai nosso que estás nos céus". Ele está aqui, perto, e ao mesmo tempo governa os céus. Poderoso, grandioso, verdadeiro. Isso nos leva à reverência: "santificado seja o teu nome". O nome de Deus não pode ser banalizado. Os judeus ficaram com tanto medo que perderam a intimidade; nós muitas vezes perdemos a reverência, tratando as coisas de Deus com descaso, como o adolescente que trata o pai com desrespeito, como se ele não soubesse de nada.
Em seguida, Jesus ensina a orar buscando o que é importante: "venha o teu Reino, seja feita a tua vontade". Buscamos muitas coisas diariamente e esquecemos de buscar o que realmente importa. Somos súditos desse Reino, e nesse Reino não prevalece a nossa vontade, mas a do Rei. No nosso reino, a nossa vontade manda. Mas se pertencemos ao Reino de Deus, é a vontade dele que deve ser feita, na terra como no céu — e ela é boa, perfeita e agradável.
Dependência diária, coração perdoado e preparo para a batalha.
"Dá-nos hoje o nosso pão de cada dia." Se Deus já sabe de tudo, por que orar? Porque a oração cria em nós dependência de Deus. Como disse o pastor Tiago Mattes, da igreja Red: "a oração me torna sensível ao cuidado de Deus". Cada palavra desse pedido ensina algo. "Dá-nos": dependência, é Deus quem provê. "Hoje": não é para amanhã, para não corrermos o risco de ficar ansiosos pelo dia seguinte. "Pão de cada dia": o básico, o essencial, a sobrevivência — as outras coisas serão acrescentadas.
E "nosso". Se somos irmãos em Cristo, devemos orar não apenas pelo meu pão, mas pelo nosso pão de cada dia. Isso tira o egoísmo de pensar só em mim e levanta perguntas concretas: será que o outro tem? Será que ele está precisando? Será que eu posso compartilhar? Isso é viver o Reino, isso é viver a verdadeira oração.
Depois, Jesus ensina a orar aprendendo sobre o perdão: "perdoa as nossas dívidas, assim como perdoamos aos nossos devedores". É a oração de quem perdoa porque foi perdoado. Jesus perdoou a dívida do nosso pecado, muito maior do que qualquer ofensa que alguém possa cometer contra nós. Não pensemos que somos tão bons assim — sem a graça de Jesus, estaríamos todos perdidos em nossas ofensas. Ele nos perdoou e nos ensina a perdoar.
É difícil, porque olhamos para nós mesmos e não para Jesus na cruz. Mas os versículos 14 e 15 são claros: Deus nos perdoa à medida que também perdoamos. Então a oração ganha esta forma: "perdoa, Jesus, o meu pecado, porque estou perdoando meu cônjuge, meu filho, meu chefe". A mágoa só atrasa a vida, faz a gente parar e azeda tudo. Quando pedimos e concedemos perdão, tudo muda.
Pergunte-se hoje: qual é a minha necessidade básica para hoje? E existe alguém perto de mim cuja necessidade eu poderia ajudar a suprir?
Por fim, Jesus ensina a orar se preparando para a batalha: "não nos deixes cair em tentação, mas livra-nos do mal". Que batalha é essa? A batalha contra a tentação, contra o pecado. Você já orou logo cedo pedindo que Jesus o livrasse de toda tentação e de todo mal naquele dia?
Repare que, também aqui, o foco não é o "eu", mas o "nós". Não é apenas para que eu vença a tentação, mas para que cada um de nós vença, unidos no Senhor. E a oração termina reconhecendo a quem pertence tudo: "teu é o Reino, o poder e a glória para sempre. Amém" — amém que significa firmes, fixos nisso.
Uma oração que deixa de ser mecânica e vira vida com Deus.
Quando olhamos para Mateus 6 com essa visão, tudo muda. A oração deixa de ser mecânica, deixa de ser forçada, e se torna uma vida de intimidade com o Senhor. Deixa de ser autopromoção, fórmula ou lista de compras, e passa a ser conversa de filho com o Pai que está nos céus.
Que possamos orar da forma que Deus espera de nós: não de forma egoísta, não centrada em nós mesmos, mas de uma forma que agrada a Deus, de todo o coração. A oração é importantíssima para o cristão, porque é ela que mantém a conexão e a intimidade com Deus.
E a oração nos lembra constantemente de que não é sobre nós, é sobre o Reino. Não é a nossa vontade, mas a do Pai em nós. Não estamos no controle — Deus está, moldando a vontade dele dentro de nós. Se este mês de oração servir para alguma coisa, que sirva para formar em nós um hábito que não termina quando a campanha acabar.
Separe um tempo a sós com Deus todos os dias desta semana: quarto, porta fechada, celular longe. Use o Pai Nosso como roteiro — adoração, Reino e vontade de Deus, necessidade de hoje, perdão, batalha — e convide alguém para orar junto com você pelo menos uma vez.
Verdades centrais para levar com você.
Jesus disse "quando vocês orarem", não "se vocês orarem": ele espera que o discípulo tenha uma vida de oração.
Oração não é autopromoção; o hipócrita ora como um ator em cena e já recebeu sua recompensa nos aplausos.
Oração não é fórmula mágica; não existe método que force a mão de Deus a agir.
Oração não é lista de pedidos; o Pai já sabe do que precisamos antes mesmo de pedirmos.
Oração é relacionamento de intimidade com Deus, e a maior recompensa é a presença dele, não o pedido atendido.
"Pai nosso, que estás nos céus" une intimidade e reverência: Ele é próximo como Pai e grandioso como Rei.
A oração nos lembra que não é sobre nós, é sobre o Reino — não é a nossa vontade, mas a do Pai sendo moldada em nós.
Pai nosso, que estás nos céus, santificado seja o teu nome. Obrigado porque, em Jesus, podemos te chamar de Pai, sem medo, com intimidade, e ao mesmo tempo reconhecer que tu governas os céus e és poderoso e verdadeiro. Perdoa-nos quando transformamos a oração em autopromoção, em fórmula ou em lista de pedidos. Ensina-nos a buscar o teu Reino e a tua vontade antes da nossa, a depender de ti para o nosso pão de hoje, a perdoar como fomos perdoados e a pedir socorro na batalha contra a tentação. Molda a nossa vontade à tua e cria em nós uma vida constante de oração, que não dependa de campanhas, mas nasça do desejo sincero de estar contigo. Em nome de Jesus. Amém.
Quem aprende a orar "o nosso pão" aprende também a repartir o pão.
“Dá-nos hoje o nosso pão de cada dia.”
Jesus não ensinou a orar "dá-me hoje o meu pão", mas "dá-nos hoje o nosso pão de cada dia". Essa única palavra quebra o egoísmo da nossa fé: se somos irmãos em Cristo, a minha oração precisa alcançar a necessidade do outro. E quando percebo que o irmão ao meu lado está precisando, a pergunta seguinte é inevitável: será que eu posso compartilhar? Contribuir é a continuação natural dessa oração. Reconhecemos que tudo o que temos veio das mãos do Pai que sabe do que precisamos antes mesmo de pedirmos, e devolvemos parte disso para que a provisão de Deus chegue a mais pessoas. Isso é viver o Reino na prática, não apenas pedi-lo em palavras.