
DEVOCIONAL
Sete dias em Deuteronômio 6 para responder a pergunta que poucos param para fazer: o que Deus espera de mim?
Sabemos de cor o que queremos de Deus: saúde, provisão, portas abertas, respostas. Mas raramente paramos diante da pergunta inversa, que é muito mais difícil e que poucos sabem responder: o que Deus espera de mim? Em Deuteronômio 6, às vésperas de o povo entrar na terra prometida, Moisés responde isso com uma clareza que atravessa os séculos. Durante sete dias vamos percorrer esse texto na ordem em que ele se abre: amar a Deus de todo o coração, de toda a alma e com todas as forças, meditar sempre na Sua Palavra e passar adiante o que recebemos, dentro de casa e em todo tempo. Corrie ten Boom, a holandesa que escondeu judeus durante a Segunda Guerra e sobreviveu a um campo de concentração para anunciar o perdão de Deus, sabia o que Deus esperava dela. Que esta semana você também saiba — e viva.
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“Esta é a lei, isto é, os decretos e as ordenanças, que o Senhor, o seu Deus ordenou que eu lhes ensinasse, para que vocês os cumpram na terra para a qual estão indo para dela tomar posse. Desse modo vocês, seus filhos e seus netos temerão ao Senhor, o seu Deus, e obedecerão a todos os seus decretos e mandamentos, que eu lhes ordeno, todos os dias da sua vida, para que tenham vida longa. Ouça e obedeça, ó Israel! Assim tudo lhe irá bem e você será muito numeroso numa terra onde manam leite e mel, como lhe prometeu o Senhor, o Deus dos seus antepassados.”
Corrie ten Boom e sua família escondiam judeus atrás de uma parede na Holanda ocupada, sabendo o preço. Em 1944 foram denunciados: o pai morreu logo depois, a irmã Betsie morreu no campo de concentração, e Corrie sobreviveu para anunciar o evangelho e o perdão de Deus pelo mundo. O que sustentou aquela família não foi coragem natural: foi saber o que Deus esperava dela. Aqui em Deuteronômio 6, Moisés fala ao povo às vésperas de entrar na terra prometida. Deus tinha uma perspectiva para aquele povo, como tem para você. Sabemos listar o que queremos de Deus; raramente paramos para responder o que Ele quer de nós.
Senhor, eu sei bem o que quero de Ti. Hoje eu quero saber o que Tu queres de mim. Silencia em mim a pressa e as minhas próprias listas, e fala. Eu quero ouvir e obedecer. Amém.
Pegue uma folha e escreva duas colunas: o que eu quero de Deus e o que Deus quer de mim. Preencha a primeira rápido. Deixe a segunda em aberto e volte a ela no fim desta semana.
“Ame o Senhor, o seu Deus, de todo o seu coração, de toda a sua alma e de todas as suas forças.”
A primeira coisa que Deus espera é um coração que O ame por completo. Não um pedaço, não o resto do dia, não o que sobra depois de tudo. Sem divisão, sem reservas, sem plano B. Um amor com reservas não é bem um amor: é um acordo. E muita gente vive com Deus num acordo, entregando a parte da vida que não dói e guardando a outra. Pergunte com honestidade: existe alguma área que eu nunca coloquei nas mãos de Deus porque ali eu ainda quero decidir sozinho?
Pai, eu confesso que o meu coração anda repartido. Tira de mim os planos B que eu guardo caso Tu falhes. Toma o meu coração inteiro, hoje, sem reservas. Amém.
Nomeie hoje, em voz alta diante de Deus, uma área específica que você vinha guardando (dinheiro, relacionamento, mágoa, projeto) e diga: esta também é Tua. Dê um passo prático nela ainda hoje.
“E agora, ó Israel, que é que o Senhor seu Deus pede de você, senão que tema o Senhor, o seu Deus, que ande em todos os seus caminhos, que o ame e que sirva ao Senhor, ao seu Deus, de todo o seu coração e de toda a sua alma, e que obedeça aos mandamentos e aos decretos do Senhor, que hoje lhe dou para o seu próprio bem?”
Alma, no hebraico, carrega a ideia de fôlego de vida. Amar a Deus de toda a alma é amá-Lo com toda a vida que você tem, com cada respiração que Ele te dá. Não é um sentimento reservado para o domingo de manhã; é a vida inteira voltada para Ele. Moisés faz a mesma pergunta de outra forma em Deuteronômio 10: o que o Senhor pede de você? Andar com Ele, servi-Lo de todo o coração e de toda a alma. É simples de entender e custa tudo.
Senhor, enquanto houver fôlego em mim, que ele seja para Ti. Não quero Te amar só nos cultos, mas no trabalho, na casa, no cansaço. Toma a minha vida inteira. Amém.
Escolha uma tarefa comum do seu dia (lavar louça, dirigir, responder e-mails) e faça-a hoje conscientemente para Deus, orando no início dela. Amar de toda a alma começa no ordinário.
“Respondeu Jesus: "O mais importante é este: ‘Ouve, ó Israel, o Senhor, o nosso Deus, o Senhor é o único Senhor. Ame o Senhor, o seu Deus de todo o seu coração, de toda a sua alma, de todo o seu entendimento e de todas as suas forças’.”
Jesus retoma o mesmo mandamento e acrescenta: com todas as forças. A pergunta, então, é bem prática: em que temos gastado as nossas forças? O que tem sugado a nossa energia? Quase ninguém decide um dia parar de amar a Deus; a gente só vai entregando a força para outras coisas até sobrar cansaço para Ele. Deus não pede o que resta. Ele espera o seu vigor, o seu melhor tempo, a sua melhor disposição.
Deus, olha onde tenho gasto a minha energia. Perdoa-me por chegar exausto para Ti e inteiro para o que não permanece. Redireciona as minhas forças. Amém.
Faça hoje um inventário honesto de onde foram suas últimas 24 horas (telas, trabalho, conversas). Escolha uma coisa que drena sua energia sem fruto e corte trinta minutos dela, investindo esse tempo em oração ou serviço.
“Que todas estas palavras que hoje lhe ordeno estejam em seu coração.”
Depois de pedir coração, alma e forças, Deus diz como isso acontece: estes mandamentos devem estar no seu coração, meditados sempre. Meditar não é passar os olhos por um versículo e seguir o dia; é análise profunda, é mergulhar. Havia um povo que fazia isso muito bem: os de Bereia, em Atos 17, receberam a palavra com avidez e examinavam as Escrituras diariamente para conferir se as coisas eram assim. Sempre, e não uma vez. Repare na escala que o texto desenha: eu amo a Deus de todo o coração, de toda a alma, com todas as forças, e de que forma? Meditando sempre na Sua Palavra.
Senhor, não me deixe contente com uma leitura apressada. Dá-me fome da Tua Palavra, paciência para examinar e coragem para obedecer o que eu encontrar. Amém.
Marque no celular um horário fixo para amanhã e para os próximos dias. Leia um parágrafo da Escritura, escreva uma frase do que entendeu e uma pergunta que ficou. Volte a ela no dia seguinte.
“Ensine-as com persistência a seus filhos. Converse sobre elas quando estiver sentado em casa, quando estiver andando pelo caminho, quando se deitar e quando se levantar.”
Antes de mandar os pais ensinarem seus filhos, Deus manda a Palavra entrar no coração dos próprios pais. Não podemos transmitir uma fé que não estamos vivendo. E o modo de ensinar não é uma aula mensal nem apenas o que acontece na igreja: converse sobre estas leis em casa, no caminho, na hora de dormir e logo ao despertar. Ou seja, em todo tempo, na vida normal. Provérbios 22:6 promete que a criança ensinada no caminho em que deve andar não se desviará dele quando envelhecer. Se queremos um futuro melhor, temos que ensinar hoje.
Pai, dá-me coragem para falar de Ti dentro de casa. Que as minhas conversas mais comuns tenham o cheiro da Tua Palavra. Ensina-me a ensinar. Amém.
Escolha um dos quatro momentos do texto (em casa, no caminho, ao deitar, ao acordar) e tenha hoje uma conversa sobre Deus com um filho, sobrinho, neto ou alguém mais novo que você discipula. Uma conversa, não um sermão.
“Amarre-as como um sinal nos braços e prenda-as na testa. Escreva-as nos batentes das portas de sua casa e em seus portões.”
O texto fecha com imagens fortes: amarre estes mandamentos nos dedos como lembrete constante, fixe todos eles na testa, escreva nos portais da casa. É Deus dizendo que a Sua Palavra precisa estar onde as mãos trabalham, onde os olhos enxergam e onde a família vive. Por isso apresentar uma criança diante da igreja nunca é só um gesto bonito: é o compromisso dos pais de ensiná-la nos caminhos do Senhor e de viver diante dela aquilo que estão ensinando. Corrie ten Boom sabia o que Deus esperava dela porque cresceu numa casa assim. Nossos filhos não serão aquilo que queremos, mas aquilo que nós somos.
Senhor, que a Tua Palavra não fique só na minha boca, mas nas minhas mãos e nos meus olhos. Que a minha casa seja um lugar onde Tu és lembrado. Faz de mim aquilo que eu desejo que os meus aprendam. Amém.
Coloque hoje um versículo visível em sua casa (na porta, na geladeira, no espelho) e assuma diante de Deus um compromisso escrito, com data, de viver diante dos seus aquilo que você ensina. Releia a folha do dia 1 e preencha a segunda coluna.